Leito de Pedra

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A relação que pequenas comunidades rurais com seus mananciais é bem diferente daquela observada em zonas urbanas, onde rios são comumente “encanados” e praticamente excluídos da paisagem. Na roça, vive-se o rio, lá ele é celebrado diariamente, admirado, solenizado, como uma entidade que corre pela floresta alimentando-a.

 

Se falamos de regiões onde leitos são naturalmente escassos, essa relação entre o homem e o rio se enriquece com um teor ainda maior de afeto. Em algumas comunidades quilombolas da caatinga mineira, no norte do Estado, alguns rios correm nos quintais de casas, ora mais abundantes, ora finos espelhos d’água. Mas estão ali, vizinhos presentes.

 

São templos para rituais recreativos, como banhos, ou de subsistência, como a pesca – que não deixa de ser também uma atividade terapêutica. Do rio vem a irrigação da lavoura e no rio o homem se encontra com os bichos e junto com eles mata sua sede.

 

Na série Leitos de Pedra, moradores de comunidades do Vale do Jequitinhonha são fotografados simulando sua rotina ritualística de relação com seus rios, antes perenes, hoje verdadeiros leitos de morte durante boa parte do ano.

 

Os períodos de seca cada vez mais prolongados, associados ao uso indiscriminado dos recursos hídricos por grandes fazendas monocultoras, priva este sertanejo de seu convívio com sua água corrente, um recurso natural que, hoje em dia, tem importância maior se comparado ao ouro que por tanto tempo foi ali garimpado.

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