O Grande Vizinho/The Big Neighbor

About This Project

In the case of sui generis in the history of Brazilian modernist architecture, the city of Ipatinga, in the Minas Gerais Steel Valley, was planned and built in the mid-1960s in synchrony with the steel mill it houses. The municipality is founded in 1964, a landmark in national political history – the year of a military coup in Brazil –  and develops within the formality that a military regime and an industrial discipline require.

Considered one of the largest in the world, the plant is located in the geographical center of the city. Unlike the native inhabitants – accustomed to the omnipresence of chimneys and steaming blast furnaces in the Ipatinga skyline – any visitor is strangely aware of the proximity between urban area and industry.

As an Ipatingo citizen, I spent my youth looking naturally at these colossal structures. However, ever since I returned to the city, after a few years of living out, my attention was focused on the incongruity of this architectural amalgam and how the city relates to it.

In the construction of this work, I submit to the solicitude of residents and owners of establishments that allow a certain invasion of privacy. To show the proximity between daily social and steelwork, I place in the foreground of the image the windows and balconies of the buildings – located within a radius of 2 km of the industry. Require the participation of  “extras” on the scene, at strict times – in the darkest hours – and require them to remain immobile to resist as clearly as possible the long exposure.

Choosing to shoot at night brings the personal motivations of those who grew up listening to the myth of the “night monster,” an urban legend according to which, as the city sleeps, the factory launches into the atmosphere multiplied quantities of waste – a supposed assumption that fewer people would be observing. Still alive in the popular imagination, the chimera of the “scarlet sky” is actually the fruit of the optical illusion caused by the refraction and reflection of the lights – mercury vapor lamps – that illuminate both the power plant and the city, generating an aura of warm tones over Urban perimeter, fusing smoke, steam and clouds.

 

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Caso sui generis na história da arquitetura modernista brasileira, a cidade de Ipatinga, no Vale do Aço mineiro, foi planejada e construída em meados da década de 1960 em sincronia com a usina siderúrgica que abriga. O município é fundado em 1964, marco da história política nacional, e se desenvolve dentro da formalidade que um regime militar e uma disciplina industrial exigem.

 

Considerada uma das maiores do mundo, a planta situa-se no centro geográfico da cidade. Diferentemente dos habitantes nativos – habituados à onipresença de chaminés e altos-fornos fumegantes no skyline ipatinguense – qualquer visitante sofre estranhamento ao notar a proximidade entre área urbana e indústria.

 

Como cidadão ipatinguense, passei minha juventude olhando com naturalidade para essas estruturas colossais. Contudo, desde que voltei à cidade, após alguns anos morando fora, minha atenção estacou na incongruência desse amálgama arquitetônico e de como a cidade se relaciona com tudo isso.

 

Na construção deste trabalho, me submeto à solicitude de moradores e proprietários de estabelecimentos que permitam certa invasão de privacidade. Para evidenciar a condição de proximidade entre cotidiano social e atividade siderúrgica, posiciono no primeiro plano da imagem as janelas e sacadas das edificações – situadas num raio de 2 km da indústria. Requisito a participação de “figurantes” em cena, em horários rígidos – nas horas mais escuras – além de exigir que fiquem imóveis para que resistam o mais nitidamente possível à longa exposição.

 

A escolha por fotografar à noite traz as motivações pessoais de quem cresceu ouvindo o mito do “monstro noturno”, lenda urbana segundo a qual, enquanto a cidade dorme, a fábrica lança na atmosfera quantidades multiplicadas de resíduos – uma suposta “tramoia” estimulada pela suposição de que menos gente estaria observando. Ainda viva no imaginário popular, a quimera do “céu escarlate” é na verdade fruto da ilusão óptica causada pela refração e reflexão das luzes – lâmpadas de vapor de mercúrio – que iluminam ambas, usina e cidade, gerando uma aura de tons quentes sobre o perímetro urbano, fundindo fumaça, vapor e nuvens.

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